01. Lenny Williams - Change
02. Wayne Henderson - Foot stompin' music
03. Saragossa Band - Disco boogie, boogie
04. Denise LaSalle - The bitch is bad
05. Al Green - All N all
06 - Wayne Henderson - Reggae disco
07. Steam - Na, na, hey, hey, (Kiss him goodbye)
08. Ruby Andrews - I wanna be near you
09. Al Hudson - If you feel like dancin'
10. Bebu Silvetti - Love secrets
Texto da contra-capa do Lp Looking Glass Discothèque:
Porto Alegre foi fundada
sob a égide de Porto dos Casais e assim também surgiu sua noite. Os
divertimentos noturnos da cidade sempre foram feitos na base de dois prá cá
dois prá lá. Do que me resta na memória, era a “American Boite” que apresentava
Luz Del Fuego e suas cobras, entre os tangos, e Eros Volúsia, evoluindo por
meio dos boleros; sempre música ao vivo, from Argentina; as mulheres, todas
portenhas, recém-chegadas de Buenos Aires, e, no entanto naquele tempo ninguém
falava de música importada.
Porto Alegre aumentou, o
Guaiba poluiu mais, o tráfego incrementou e surgiram as ‘boites’, no princípio
só para namoricos escondidos do papai e da mamãe. Era a “Côte d’Azur” e o “Piano
Drink”, uma musiquinha de fundo era o bastante para animar qualquer papo.
Depois surgiu o homem que
fez a noite em Porto Alegre – Ruy Sommer. Contando com o novorriquismo dos
novos casais, fundou o “Encouraçado Butikin”. Toda gente boa passava por lá,
quer fosse salão, palco ou picadeiro; grandes festas, grandes vestidos e
grandes reputações se fizeram. Aí desaparece o “Society”, que morreu careca de
tantas caras e bocas e tanto cheque sem fundos.
Neste interregno de
tempo, Sérgio Bini voltou de Roma desfazendo seu casamento com Donatella Zegna
Baruffa e com porte do espólio do casamento montando um cabelereiro
masculino-feminino: sucesso, champanhotas, coque banana, cabelo estufado...
Mas derrepente e não mais
que de repente, este moçoilo enveredou por sendas nunca dantes trilhadas;
inventou uma coisa que a cidade não sabia exatamente o que era. A palavra
DISCOTHÈQUE ainda soava bem nos ouvidos gauchescos. Pararam para ver. No
princípio meio assustada, a velharada começou a arriscar uma dança, começaram
as caras e bocas a pedir tratamento personalizado e bebidas raras. Felizmente
não agradou porque o gênero era jovem. Não necessariamente de idade, mas uma
juventude que vem de dentro, como a disposição da brincadeira, a zorra da
roupa, a alegria inata de quem curte uma discothèque para divertir-se mesmo.
Morto o Rei viva o Rei,
morta a boite viva a discothèque!
O mundo mudou e se não
mudarmos vamos acabar dançando sozinhos. Chegou Sérgio Bini para salvar a
cidade e o Porto que não é mais dos casais e sim da Discothèque
LOOKING GLASS!
Tatata Pimentel
“A memória da noite
portoalegrense”